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750

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(Fuvest 2013)
Revelação do subúrbio
Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro*,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite como o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luga, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam [laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.

*: carro: vagão ferroviários para passageiros.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo, 1940.

1. Para a caracterização do subúrbio, o poeta lança mão, principalmente, da(o)
a) personificação.
b) paradoxo.
c) eufemismo.
d) sinestesia.
e) silepse.

2. Considerados no contexto, dentre os mais de dez verbos no presente, empregados no poema, exprimem ideia, respectivamente, de habitualidade e continuidade
a) “gosto” e “repontam”.
b) “condensa” e “esforça”.
c) “vou” e “existe”.
d) “têm” e “devolve”.
e) “reage” e “luta”.

3. Em consonância com uma das linhas temáticas principais de Sentimento do mundo, o vivo interesse que, no poema, o eu lírico manifesta pela paisagem contemplada prende-se, sobretudo, ao fato de o subúrbio ser
a) bucólico.
b) popular.
c) interiorano.
d) saudosista.
e) familiar.

4. No poema de Drummond, a presença dos motivos da velocidade, da mecanização, da eletricidade e da metrópole configura-se como
a) uma adesão do poeta ao mito do progresso, que atravessa as letras e as artes desde o surgimento da modernidade.
b) manifestação do entusiasmo do poeta moderno pela industrialização por que, na época, passava o Brasil.
c) marca da influência da estética futurista da Antropofagia na literatura brasileira do período posterior a 1940.
d) uma incorporação, sob nova inflexão política e ideológica, de temas característicos das vanguardas que influenciaram o Modernismo antecedente.
e) uma crítica do poeta pósͲmodernista às alterações causadas, na percepção humana, pelo avanço indiscriminado da técnica na vida cotidiana.

5. Segundo o crítico e historiador da literatura Antonio Candido de Mello e Souza, justamente na década que presumivelmente corresponde ao período de elaboração do livro a que pertence o poema, o modo de se conceber o Brasil havia sofrido “alteração marcada de perspectivas”. A leitura do poema de Drummond permite concluir corretamente que, nele, o Brasil não mais era visto como país
a) agrícola (fornecedor de matériaͲprima), mas como industrial (produtor de manufaturados).
b) arcaico (retardatário social e economicamente) mas, sim, percebido como moderno (equiparado aos países mais avançados).
c) provinciano (caipira, localista) mas, sim, cosmopolita (aberto aos intercâmbios globais).
d) novo (em potência, por realizar-se), mas como subdesenvolvido (marcado por pobreza e atrofia).
e) rural (sobretudo camponês), mas como suburbano (ainda desprovido de processos de urbanização).

749

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(Fuvest 2013) Considere as seguintes comparações entre Vidas secas, de Graciliano Ramos, e Capitães da areia, de Jorge Amado:

I. Quanto à relação desses livros com o contexto histórico em que foram produzidos, verifica-se que ambos são tributários da radicalização político-ideológica subsequente, no Brasil, à Revolução de 1930.
II. Embora os dois livros comportem uma consciência crítica do valor da linguagem no processo de dominação social, em Vidas secas, essa consciência relaciona-se ao emprego de um estilo conciso e até ascético, o que já não ocorre na composição de Capitães da areia.
III. Por diferentes que sejam essas obras, uma e outra conduzem a um final em que se anuncia a redenção social das personagens oprimidas, em um futuro mundo reconciliado, de felicidade coletiva.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.
b) I e II, somente.
c) III, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.

748

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(Fuvest 2013)
CAPÍTULO LXXI

O senão do livro
Começo o arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...

E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

1. No contexto, a locução “Heis de cair”, na última linha do texto, exprime:
a) resignação ante um fato presente.
b) suposição de que um fato pode vir a ocorrer.
c) certeza de que uma dada ação irá se realizar.
d) ação intermitente e duradoura.
e) desejo de que algo venha a acontecer.
________________________

2. Um leitor que tivesse as mesmas inclinações que as atribuídas, pelo narrador, ao leitor das Memórias póstumas de Brás Cubas teria maior probabilidade de impacientar-se, também, com a leitura da obra
a) Memórias de um sargento de milícias.
b) Viagens na minha terra.
c) O cortiço.
d) A cidade e as serras.
e) Capitães da areia.
________________________

3. Nas primeiras versões das Memórias póstumas de Brás Cubas, constava, no final do capítulo LXXI, aqui reproduzido, o seguinte trecho, posteriormente suprimido pelo autor:

[... Heis de cair.] Turvo é o ar que respirais, amadas folhas. O sol que vos alumia, com ser de toda a gente, é um sol opaco e reles, de ........................ e ........................ .

As duas palavras que aparecem no final desse trecho, no lugar dos espaços pontilhados, podem servir para qualificar, de modo figurado, a mescla de tonalidades estilísticas que caracteriza o capítulo e o próprio livro. Preenchem de modo mais adequado as lacunas as palavras

a) ocaso e invernia.
b) Finados e ritual.
c) senzala e cabaré.
d) cemitério e carnaval.
e) eclipse e cerração.

747

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(Fuvest 2013) Examine as seguintes afirmações relativas a romances brasileiros do século XIX, nos quais a escravidão aparece e, em seguida, considere os três livros citados:

I. Tão impregnado mostrava-se o Brasil de escravidão, que até o movimento abolicionista pode servir, a ela, de fachada.
II. De modo flagrante, mas sem julgamentos morais ou ênfase especial, indica-se a prática rotineira do tráfico transoceânico de escravos.
III. De modo tão pontual quanto incisivo, expõe-se o vínculo entre escravidão e prática de tortura física.

A. Memórias de um Sargento de Milícias.
B. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
C. O Cortiço.

As afirmações I, II e III relacionam-se, de modo mais direto, respectivamente, com os romances

a) B, A, C.
b) C, A, B.
c) A, C, B.
d) B, C, A.
e) A, B, C.

746

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(Fuvest 2013)
Ora nesse tempo Jacinto concebera uma ideia... Este Príncipe concebera a ideia de que “o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado”. E por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que, robustecendo a sua força pensante com todas as noções adquiridas desde Aristóteles, e multiplicando a potência corporal dos seus órgãos com todos os mecanismos inventados desde Terâmenes, criador da roda, se torna um magnífico Adão, quase onipotente, quase onisciente, e apto portanto a recolher [...]todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e de Poder... [...]

Este conceito de Jacinto impressionara os nossos camaradas de cenáculo, que [...] estavam largamente preparados a acreditar que a felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da Mecânica e da erudição. Um desses moços [...]reduzira a teoria de Jacinto [...] a uma forma algébrica:
E durante dias, do Odeon à Sorbona, foi louvada pela mocidade positiva a Equação Metafísica de Jacinto.
Eça de Queirós, A cidade e as serras.

1. Sobre o elemento estrutural “oni”, que forma as palavras do texto “onipotente” e “onisciente”, só NÃO é correto afirmar:
a) Equivale, quanto ao sentido, ao pronome “todos(as)”, usado de forma reiterada no texto.
b) Possui sentido contraditório em relação ao advérbio “quase”, antecendente.
c) Trata-se do prefixo “oni”, que tem o mesmo sentido em ambas as palavras.
d) Entra na formação de outras palavras de língua portuguesa, como “onipresente” e “onívoro”.
e) Deve ser entendido em sentido próprio, em “oniptente”, e, em sentido figurado, em “onisciente”.

2. O texto refere-se ao período em que, morando em Paris, Jacinto entusiasmava-se com o progresso técnico e a acumulação de conhecimentos. Considerada do ponto de vista dos valores que se consolidam na parte final do romance, a “forma algébrica” mencionada no texto passaria a ter, como termo conclusivo, não mais “Suma felicidade”, mas, sim, Suma
a) simplicidade
b) abnegação.
c) virtude.
d) despreocupação.
e) servidão.

745

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(Fuvest 2013)

1. No trecho “nos precipitou na miséria moral inexorável” (L. 4-5), a palavra sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido to texto, por
a) inelutável.
b) inexequível.
c) inolvidável.
d) inominável.
e) impensável.
_____________________________

2. O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive, para indicar que ela
I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;
II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;
III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.

Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes no texto:
A.“pós-moderna” (L. 1);
B. “mau uso” (L. 3);
C. “livre jogo do mercado” (L.10);
D. “livre” (L. 11);
E. “resto do mundo” (L. 16).

As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verificam-se, respectivamente, em
a) A, C e E.
b) B, C e D.
c) A, B e E.
d) A, B e E.
e) B, D e A.

744

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(Fuvest 2013) Leia o seguinte texto, que faz parte de um anúncio de um produto alimentício:

EM RESPEITO A SUA NATUREZA, SÓ TRABALHAMOS COM O MELHOR DA NATUREZA
Selecionamos só o que a natureza tem de melhor para levar até a sua casa. Porque faz parte da natureza dos nossos consumidores querer produtos saborosos, nutritivos e, acima de tudo, confiáveis.
www.destakjornal.com.br, 13/05/2013. Adaptado.

Procurando dar maior expressividade ao texto, seu autor

a) serve-se do procedimento textual da sinonímia.
b) recorre à reiteração de vocábulos homônimos.
c) explora o caráter polissêmico das palavras.
d) mescla as linguagens científica e jornalística.
e) emprega vocábulos iguais na forma, mas de sentidos contrários.

743

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(Fuvest 2013)
Equilíbrio, Folha de S.Paulo, 21/05/2013.

1. No texto, empregam-se, de modo mais evidente, dois recursos de intextualidade: um, o próprio autor o torna explícito; o outro encontra-se em um dos trechos citados abaixo. Indique-o.
a) “Você é um horror!”
b) “E você, bêbado.”
c) “Ilusão sua: amanhã, de ressaca, vai olhar no espelho e ver o alcoólatra machista de sempre.”
d) “Vai repetir o porre até perder os amigos, o emprego, a família e o autorrespeito.”
e) “Perco a piada, mas não perco a ferroada!”

2. A tirinha tematiza questões de gênero (masculino e feminino), com base na oposição entre
a) permanência e transitoriedade.
b) sinceridade e hipocrisia.
c) complacência e intolerância.
d) compromisso e omissão.
e) ousadia e recato

742

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(Fuvest 2013)
To live the longest and healthiest life possible, get smarter. Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) data show that past a certain threshold, health and wealth are just weakly correlated. However, overall health is closely tied to how many years people spend in school. Mexico, for instance, has a fifth the per capita gross domestic product (GDP) of the United States, but, for women, more than 50 percent of the latter’s schooling.

In line with the trend, Mexico’s female adult mortality rate is only narrowly higher. Vietnam and Yemen have roughly equivalent per capita GDP. Yet Vietnamese women average 6.3 more years in school and are half as likely to die between the ages of 15 and 60. “Economic growth is also significantly associated with child mortality reductions, but the magnitude of the association is much smaller than that of increased education,” comments Emmanuela Gakidou, IHME’s director of education and training. “One year of schooling gives you about 10 percent lower mortality rates, whereas with a 10 percent increase in GDP, your mortality rate would go down only by 1 to 2 percent.”
Discover, May 31, 2013. Adaptado.

1. O argumento central do texto é o de que níveis mais altos de escolaridade estão diretamente relacionados a
a) índices mais baixos de mortalidade.
b) crescimento econômico acentuado.
c) mais empregos para as mulheres.
d) menores taxas de natalidade.
e) melhorias nos serviços de saúde.

2. No texto, ao se comparar o México aos Estados Unidos, afirma-se que, no México,
a) o produto interno bruto é equivalente a 50% do produto interno bruto dos Estados Unidos.
b) os índices de mortalidade adulta vêm crescendo, nos últimos anos.
c) as mulheres representam 50% da população escolarizada.
d) as políticas educacionais são suficientes e estão defasadas.
e) as taxas de mortalidade feminina adulta são pouco superiores às norte-americanas.

3. De acordo como texto, “about 10 percent lower mortality rates” é resultado de
a) “10 percent increase in GDP”.
b) “child mortality reductions”.
c) “equivalent per capita GDP”.
d) “economic growth”.
e) “one year of schooling”.

741

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(Fuvest 2013)

A wave of anger is sweeping the cities of the world.
The protests have many different origins. In Brazil people rose up against bus fares, in Turkey against a building project. Indonesians have rejected higher fuel prices. In the euro zone they march against austerity, and the Arab spring has become a perma-protest against pretty much everything.

Yet just as in 1848, 1968 and 1989, when people also found a collective voice, the demonstrators have much in common. In one country after another, protesters have risen up with bewildering speed. They tend to be ordinary, middle-class people, not lobbies with lists of demands. Their mix of revelry and rage condemns the corruption, inefficiency and arrogance of the folk in charge.

Nobody can know how 2013 will change the world – if at all. In 1989 the Soviet empire teetered and fell. But Marx’s belief that 1848 was the first wave of a proletarian revolution was confounded by decades of flourishing capitalism and 1968 did more to change sex than politics. Even now, though, the inchoate significance of 2013 is discernible. And for politicians who want to peddle the same old stuff, news is not good.
The Economist, June 29, 2013. Adaptado

1. Segundo o texto, os protestos de 2013, em diversos lugares do mundo,
a) vêm perdendo força por falhas de organização.
b) questionam a atuação dos lobbies nas reivindicações das diversas classes sociais.
c) condenam a corrupção e outros comportamentos inadequados da classe política.
d) resultam de motivações econômicas precisas.
e) têm poucos aspectos em comum.

2. Ao comparar os protestos de 2013 com movimentos políticos passados, afirma-se, no texto, que
a) nem sempre esses movimentos expressam anseios coletivos.
b) as crenças de Marx se confirmaram, mesmo após 1848.
c) as revoltas de 1968 causaram grandes mudanças políticas.
d) não se sabe se os protestos de 2013 mudarão o mundo.
e) mudanças de costumes foram as principais consqeuências de movimentos passados.

740

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(Fuvest 2013)

Storni. Careta, 19/02/1927, Apude: Relato Lemos (org.). Uma história do Brasil através da caricatura. 1840-2006. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2006, p. 35. Adaptado. 

A charge satiriza uma prática eleitoral presente no Brasil da chamada “Primeira República”. Tal prática revelava a

a) ignorância, por parte dos eleitores, dos rumos políticos do país, tornando esses eleitores adeptos de ideologias políticas nazifascistas.
b) ausência de autonomia dos eleitores e sua fidelidade forçada a alguns políticos, as quais limitavam o direito de escolha e demonstravam a fragilidade das instituições republicanas.
c) restrições provocada pelo voto censitário, que limitava o direito de participação política àqueles que possuíam um certo número de animais.
d) facilidade de acesso à informação e propaganda política, permitindo, aos eleitores, a rápida identificação dos candidatos que defendiam a soberania nacional frente às ameaças estrangeiras.
e) ampliação do direito de voto trazida pela República, que passou a incluir os analfabetos e facilitou sua manipulação por políticos inescrupulosos.

739

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(Fuvest 2013) Com base na leitura da obra A cidade e as serras, de Eça de Queirós, publicada originalmente em 1901, é correto concluir que, nela, encontra-se

a) o prenúncio de uma consciência ecológica que iria eclodir com força somente em finais do século XX, mas que, nessa obra, já mostrava um sentido visinário, inspirado pela invenção dos motores a vapor.
b) uma concepção de hierarquia civilizacional entre as regiões do mundo, na qual, a Europa representaria a modernidade e um modelo a seguir, e a América, o atraso e um modelo a ser evitado.
c) a construção de uma associação entre indivíduo e divindade, já que, no livro, a natureza é, fundamentamente, símbolo de uma condição interior a ser alcançada por meio da resignação e penitência.
d) a manifestação de um clima de forte otimismo, decorrente do fim do ciclo bélico mundial do século XIX, que trouxe à tona um anseio de modernização de sociedades em vários continentes.
e) uma valorização do meio rural e de modos de vida a ele associados, nostalgia típica de um momento da história marcado pela consolidação da industrialização e da concentração da maior parte da população em áreas urbanas.